25 Jun, 2018

A segunda-feira (25) é mais um dia de tensão e elevada aversão ao risco no mercado financeiro internacional. As ações e commodities recuam de forma generalizada e, entre as commodities agrícolas, que lidera as baixas é a soja, que na tarde de hoje perdia mais de 2% na Bolsa de Chicago. Os futuros do milho e do trigo também trabalhavam com perdas bastante expressivas, de mais de 1%. Em Nova York, algodão, açúcar, cacau e o suco de laranja também trablhavam do lado negativo da tabela. Baixas eram registradas também nas commodities metálicas e energérticas, como o ouro, a prata, o cobre e o petróleo. Em Nova York, o petróleo WTI caía 0,64% para US$ 68,17 o barril. O brent tinha queda mais intensa, de mais de 1,5%, com o barril sendo negociado em US$ 74,12. As ações norte-americanas, segundo informou a agência internacional de notícias Bloomberg, também recuam expressivamente e batem em suas mínimas desde abril. O índice S&P 500 já se mostrava também abaixo de sua média móvel de 50 dias, batendo no menor patamar desde 31 de maio. Mais ações consideradas protecionistas do presidente americano Donald Trump, segundo analistas internacionais, contra alguns de seus principais parceiros comerciais não são bem recebidas pelos investidores, que correm para ativos mais seguros e seguem se desfazendo de suas posições em outros mais sensíveis à mudanças. Os investidores - e especuladores - afinal, temem os impactos das retaliações não só dos chineses, mas também de alguns outros países, especialmente da Europa, o que poderia abalar sua demanda por títulos americanos. Lideranças tanto chinesas quanto europeias já alertaram para, na continuidade de ações como essa, uma recessão global. A venda de ações se espalhou ainda pela Ásia e, no Brasil, acompanhando o movimento das bolsas internacionais, o Ibovespa também trabalhava em campo negativo, perdendo mais de 0,7%, perto de 14h (horário de Brasília). Na Europa, as baixas observadas nas bolsas eram as maiores desde março diante dessa tensão. Depois da China, Trump ameaçou taxar os carros importados da União Europeia em 20% e a reposta veio com a possibilidade de os europeus tarifarem cerca de US$ 3,3 bilhões em produtos norte-americanos. Além disso, o presidente dos Estados Unidos afirmou ainda que seu país pretende limitar os investimentos chineses em empresas americanas de tecnologia. Em contrapartida, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, disse em uma declaração nesta segunda-feira que as futuras restrições, na verdade, não serão somente sobre a China, mas sobre "todos os países que estão tentando roubar nossa tecnologia". As declarações continuam a cair como bombas no mercado financeiro. China e Europa juntas O vice-premier chinês, Liu He, que é o principal conselheiro econômico do presidente Xi Jinping, afirmou que a China e a Europa estarão juntas para defender o sistema multilateral de comércio, como uma tentativa de 'enfrentar' as ameaças de tarifação de Donald Trump. "O unilateralismo está crescendo e as tensões comerciais aparecem nas principais economias mundiais", disse He. As declarações chegam poucos dias antes da efetivação das tarifas do presidente americano em US$ 34 bilhões de produtos chineses, prevista para o dia 6 de julho. Outros US$ 200 bilhões também podem sofrer tarifação. Nesse ritmo, o yuan bateu em suas mínimas em seis meses nesta segunda-feira. A crescente tensão entre os Estados Unidos e outras potências mundiais ganhou um novo capítulo no comércio internacional. Além da China, importantes parceiros comerciais dos EUA também declararam ?guerra? contra as medidas protecionistas de Donald Trump, desenhando um cenário ainda mais desafiador. Nesta nova etapa da guerra comercial, União Europeia e o Nafta (formado pelos vizinhos Canadá e México) elevaram o tom contra as medidas de Trump, enquanto a China renovou as ameaças ao rival, dividindo a disputa comercial em duas grandes frentes. De um lado, China e EUA estão envolvidos em uma ampla disputa sobre propriedade intelectual que acabou por atingir produtos comercializados entre os dois países. De outro, as sobretaxas sobre o aço e o alumínio, impostas para "proteger a indústria norte-americana", acertaram em cheio setores estratégicos de grandes economias, especialmente Japão, Europa e o Nafta. Tags: Política Economia Por: Carla Mendes Fonte: Notícias Agrícolas