Soja em área inédita. A nova safra de soja de Mato Grosso ocupa extensão inédita no ciclo 2014/15, conforme dados do terceiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado ontem. O acompanhamento mostra que foram cultivados pouco mais de 9 milhões de hectares, incremento de 4,7% sobre a superfície anterior, em 8,61 milhões. A produção está estimada em 28,21 milhões de toneladas, o que será 6,7% maior que a colheita anterior. Se a projeção se confirmar, Mato Grosso responderá, sozinho, por quase um terço da oferta nacional no próximo ano. O cenário otimista da Conab, para a sojicultura mato-grossense, foi traçado mesmo pontuando as adversidades relativas ao clima, que em razão da seca, paralisou a semeadura por vários dias no mês de outubro. O cultivo, apesar de atrasos históricos em decorrência da forte estiagem, foi encerrado no início dessa semana. Se os números positivos – que consideram também um incremento anual de 1,9% na produtividade – se concretizarem no decorrer de 2015, a soja, que já é a principal commodity do Estado, ampliará a sua participação no volume físico da nova safra. Com previsão de 28,21 milhões t, o grão responderá por 56,65% das mais de 49,79 milhões esperadas para este ciclo, em Mato Grosso. No ano passado, a participação do grão foi de 55,42%, ao ofertar 26,44 milhões t de um total de 47,70 milhões de t ofertadas pelo Estado. Tanto para a soja como para o total mato-grossense, as previsões para produção e área plantada são recordes. Para o Estado, será o quarto ano consecutivo no topo da produção nacional, com a maior oferta da safra brasileira. De acordo com os números divulgados ontem, Mato Grosso, apesar de uma leve retração anual em participação no volume total de grãos e fibras do país – foi 25,50% na safra 2013/14 – segue líder e responderá, caso o cenário retratado nesse levantamento se confirme, por 24,7% do total nacional, seguido pelo Paraná com 18,2% e do Rio Grande do Sul, com 14,5%. Considerando os três maiores produtores agrícolas do Brasil, Mato Grosso é o único que exibe avanço anual, com projeção de incremento de 4,4% ao passar de 47,70 milhões t para 49,79 milhões. Nos dois primeiros levantamentos referente à nova safra, a Conab chegou a prever produção total de 50,19 milhões (outubro) t e de 50,11 milhões (novembro) para Mato Grosso. PERDA – Ainda com a soja em pleno desenvolvimento nos campos mato-grossenses, portanto, ainda sem indicadores dos impactos do que a seca e a interrupção do plantio causaram às plantas, a revisão do saldo total da produção mato-grossense vai se baseando na cotonicultura, que segundo a Conab apresenta retração de área e de produção para 2014/15. Mesmo se mantendo como o maior produtor da fibra no país, indo a 57% da previsão da oferta nacional, Mato Grosso deverá exibir uma safra – que começa a ser cultivada – com uma área plantada 12,5% menor, passando de 643,1 mil hectares para 562,7 mil, e, produção 14,4% inferior a oferta de 1 milhão de toneladas de pluma do último ciclo. Para 2015, tanto com a produção da primeira e da segunda safras, o volume colhido total deverá somar 860 mil t. O mercado, como ponderam os analistas da Conab, é foi o que motivou a desaceleração do segmento. Os atrasos no cultivo da soja, também podem ter influenciado a decisão do cotonicultor. Em relação ao milho segunda safra, que é forte no Estado, a Conab manteve a mesma perspectiva de cobertura espacial da safra anterior. A área descrita é de 3,23 milhões de hectares e a produção foi estimada em 18,19 milhões t, 3,2% acima do colhido nesse ano, 17,62 milhões. Entre os produtores, o cenário ao milho é negativo, já que o atraso no cultivo da oleaginosa também estreitou a janela do cereal, que agronomicamente deve estar plantado até no máximo 25 de fevereiro. Fonte: Diário de Cuiabá
