08 Jul, 2013

Na sessão desta segunda-feira (8), os futuros dos grãos negociados na Bolsa de Chicago operam em alta, com a soja liderando as altas, que registrava, por volta das 14h (horário de Brasília), ganhos de 17,50 a 23,75 pontos nos principais vencimentos. Boas altas, de mais de 7 pontos, também eram registradas para o milho. O trigo, por outro lado, devolvia parte das altas e subiam pouco mais de 4 pontos nas posições mais negociadas. Segundo João Schaffer, analista de mercado da Agrinvest, parte dessas altas de hoje refletem uma tentativa de recuperação depois das recentes baixas registradas na CBOT pelo mercado. Além disso, o clima também influencia o andamento dos preços. Algumas chuvas que foram registradas no final de semana poderiam atrasar o plantio da soja que acontece depois da colheita do trigo, o que também estimula o avanço das cotações. Porém, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) atualiza seu relatório de acompanhamento de safra e o mercado acredita que, tanto para soja quanto para o milho, os números de lavouras em boas ou excelentes condições deve ser entre 1 e 2% maiores. Porém, o boletim sai somente depois do fechamento do mercado, o que faria com que as informações tivessem impacto somente no pregão seguinte, como explicou o analista. A demanda pela safra nova dos Estados Unidos também já dá sinais de aquecimento e completa o cenário positivo para o mercado internacional nesta segunda-feira. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou a venda de 120 mil toneladas de soja para a China a mais 135 mil para destinos não revelados com entrega para a temporada 2013/14. O departamento norte-americano reportou a venda ainda de 120 mil toneladas de milho da safra nova para o México e mais 840 mil toneladas de trigo para a China. A nação asiática é como uma nova demanda para o trigo e esse tem sido, nos últimos dias, o principal fator de sustentação para os preços dos grãos. Para Schaffer, mercado sente ainda uma influência positiva do mercado financeiro com as últimas boas notícias vindas sobre os números de criação de emprego dos Estados Unidos. "Os números vieram acima do que o mercado estava esperando e esse é um dado que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) observa para a redução ou continuação do estímulo monetário. E na quarta-feira há um pronunciamento do Ben Bernanke (presidente do Fed) e até lá pode haver uma volatilidade para o dólar durante essa semana", diz. Mercado Interno - No mercado interno brasileiro, os preços do milho começam a semanas mais pressionados, com uma estabilidade do clima em importantes estados produtores como o Mato Grosso do Sul e Paraná. As condições climáticas mais favoráveis criaram boas janelas para a continuidade da colheita da safrinha e a entrada do produto acaba pressionando as cotações. "Com uma oferta maior do milho disponível, os preços na BM&F também são pressionados", explica Schaffer. Para a soja, segundo o analista, os negócios seguem acontecendo em um ritmo lento, com os produtores à espera de mais informações, nesse momento, principalmente, sobre definições a respeito da nova safra dos EUA. Além disso, esperam também por preços melhores, já que a demanda segue muito aquecida e o volume de soja disponível é menor a cada dia nos Estados Unidos e os compradores deverão se voltar novamente para a América do Sul. "As previsões climáticas que nós temos são de temperaturas boas e chuvas dentro da normalidade, mas isso pode mudar e o produtor segue esperando esse momento de definição de risco climático para se posicionar", afirma o analista. No Porto de Rio Grande, a soja é negociada a R$ 73,00 por saca e o milho, R$ 26,00. Já em São Gabriel do Oeste, no Mato Grosso do Sul, a soja vale R$ 60,00, contra R$ 60,50 da semana passada, e o milho recuou de R$ 19 para R$ 18,80. Dólar - Nesta segunda-feira (8), o dólar opera em queda e, por volta das 11h30 (brasília), operava a R$ 2,257, perdendo 0,22%. Segundo analistas, essa deverá ser uma sessão de pouco volume de negócios. Para o dólar, a semana deverá ser de volatilidade, segundo explicou João Schaffer, haja vista que, nesta terça-feira (9) não há pregão na BM&F - com o feriado de 9 de Julho no estado de São Paulo e com os investidores à espera do pronunciamento de Bernanke nesta quarta (10). Fonte: Notícias Agrícolas