10 Aug, 2015

O mercado futuro de soja na Bolsa de Chicago (CBOT) começa a semana na expectativa das novas previsões para a safra norte-americana 2015/16 que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgará na quarta-feira (12), às 13h (de Brasília). Na semana passada, a soja acumulou alta de 0,74%. Investidores também devem continuar monitorando a demanda externa pela oleaginosa norte-americana e as previsões para o tempo no Meio-Oeste, já que este é um período importante para o desenvolvimento da soja. O vencimento novembro, mais líquido, subiu 20 cents (2,12%) na sexta-feira e encerrou a US$ 9,6325/bushel. Analistas esperam que o USDA reduza suas estimativas de área plantada, produção e rendimento da soja em virtude das fortes chuvas de junho, que frustraram parte do plantio e prejudicaram o crescimento das plantas. A média das previsões de analistas ouvidos pela Dow Jones Newswires indica rendimento de 44,6 bushels por acre (3,0 toneladas por hectare). O intervalo de previsões fica entre 43 e 46 bushels por acre (2,89 e 3,09 toneladas por hectare). Em julho, o USDA previu 46 bushels por acre (3,09 toneladas por hectare). O mercado espera ainda que o governo norte-americano projete a produção doméstica em 3,719 bilhões de bushels (101,22 milhões de toneladas), sendo que as projeções variam de 3,570 bilhões a 3,885 bilhões de bushels (97,16 milhões a 105,74 milhões de toneladas). Em julho, a perspectiva era de 3,885 bilhões de bushels (105,74 milhões de toneladas). A expectativa também é de que o USDA estimará estoques domésticos de 247 milhões de bushels (6,72 milhões de toneladas) em 31 de agosto, fim da atual temporada. Há um mês, a previsão era de 255 milhões de bushels (6,94 milhões de toneladas). Já o volume armazenado no encerramento do ciclo 2015/16 deve somar 305 milhões de bushels (8,30 milhões de toneladas). No mês passado, o USDA previa 425 milhões de bushels (11,57 milhões de toneladas). "Em parte, a alta foi preparo para o relatório e em parte incerteza sobre clima, se vão ocorrer chuvas ou não no cinturão. Não parece que deve fazer calor extremo, mas pode faltar chuva", apontou Michael McDougall, diretor do Société Générale. Para ele, persistem dúvidas sobre a extensão das perdas causadas pelo excesso de umidade, mas o consenso é de que vêm aí área e rendimento menores. "Os números que vem saindo são ligeiramente menores do que os do USDA, mas ainda há previsões de queda maior de área e rendimento." A preocupação com a possibilidade de períodos mais extensos sem chuvas no Meio-Oeste persiste, embora a previsão fosse de precipitações e temperaturas amenas para os próximos dias. "A região continua com uma ampla variedade de perspectivas de colheita, variando de potencial de produção elevado nas áreas a oeste a muito preocupante no sul e no leste, na sequência de condições excessivamente úmidas no início da temporada", disse a empresa de meteorologia DTN. Além disso, novo reporte de venda avulsa de 132 mil toneladas de soja dos EUA para a China, com entrega no ano comercial 2015/16 contribuiu para elevar os preços na sexta-feira, sendo considerado um sinal de interesse no produto norte-americano que vem em um momento em que as contratações externas da safra em desenvolvimento nos campos dos EUA estão cerca de 47% abaixo do que em igual período no ano passado. Na quinta-feira, o governo norte-americano já havia anunciado uma venda de mesmo volume, para o mesmo destino e com entrega no mesmo período. Além disso, investidores reavaliaram o resultado das exportações semanais, desta vez focando nas vendas referentes ao ano comercial 2015/16, em vez dos cancelamentos de negócios para entrega em 2014/15. Segundo McDougall, esta foi a primeira vez na temporada que as vendas antecipadas da safra que começa em 1º de setembro superaram 1 milhão de toneladas. A queda do dólar no Brasil e no exterior também contribuiu para a alta da oleaginosa. A desvalorização recente do real tem tornado a soja sul-americana mais competitiva no mercado internacional em relação à norte-americana. Fonte: AGENCIA ESTADO