As supersafras de soja nos principais países produtores, como Estados Unidos, Brasil e Argentina, estão levando o mercado para estoques recordes no período 2015/16. A preocupação dos produtores é qual o efeito desse volume sobre os preços de comercialização da oleaginosa. Os estoques mundiais de soja, após patamares de extremo risco nos Estados Unidos há dois anos, voltam a registrar o segundo recorde mundial. Na safra 2014/15 foram de 78,7 milhões de toneladas. Para esta, a estimativa do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) é de 85 milhões de toneladas. A produção mundial de soja deverá atingir 310 milhões de toneladas, mas o Usda poderá rever os dados de produção e de estoques nesta sexta-feira (9). Os estoques são elevados e seriam um sério problema no passado. Com certeza, derrubariam os preços. A formação de preços das commodities atualmente não depende mais tanto dos estoques ?que ainda são importantes?, mas também da financeirização do mercado, segundo a analista Daniele Siqueira, da AgRural. A entrada ou saída dos fundos de investimento, que carregam bilhões de dólares consigo, é que determinam boa parte das oscilações de preços do mercado. Se a oferta e demanda de produtos ainda fosse o único componente de formação de preços, seguramente os produtores teriam um cenário ainda mais conturbado no próximo ano. A oferta de soja sobe porque os Estados Unidos, que devem produzir 107 milhões de toneladas na safra 2015/16, já vêm de uma supersafra em 2014/15. Brasil e Argentina também mantêm ritmo de expansão da área e da produção, apesar do momento econômico difícil nos dois países. A produção brasileira de soja caminha para um patamar próximo de 100 milhões de toneladas. A AgRural espera 99 milhões de toneladas, um número próximo do da consultoria Clarivi. Já a consultoria Céleres espera 97 milhões, enquanto a Abiove (associação das indústrias de moagem) prevê próximo de 98 milhões de toneladas. A Argentina, terceiro maior produtor mundial, também deverá ter uma colheita próxima dos 60 milhões de toneladas na safra 2015/16. Por Mauro Zafalon Fonte: Folha de S.Paulo
