Brasil produz mais com menos defensivos, aponta Kleffmann Entre os grandes países agrícolas, Brasil apresenta um dos menores investimentos em defensivos por área plantada e tonelada produzida. O Brasil foi o país agrícola que mais elevou a produção sem aumentar a área plantada, reduzindo o investimento em defensivos por tonelada produzida, segundo estudo conduzido desde 2004 pela Kleffmann Group, líder mundial em pesquisas para o agronegócio. Entre 2004 e 2011, o país aumentou em 61% a produção e em 48% a produtividade - desempenho muito superior se comparado aos demais países agrícolas. O valor gasto com defensivos por tonelada de produtos agrícolas foi reduzido em 3% nesse período. Conforme o estudo, o Brasil ganha destaque pelo uso racional de defensivos, em relação a outros países. A Rússia, por exemplo, teve um aumento de 29% na produção e 21% na produtividade, porém com expansão de 120% no investimento em defensivos no mesmo período. Depois do Brasil, os Estados Unidos foi o país que menos investiu em defensivos entre 2004 e 2011, chegando a 6%. No entanto, a produção norte-americana de alimentos teve um recuo de 1% e a produtividade aumentou apenas 1%. A base do estudo tem como fonte principal a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), que consolida, com dois anos de defasagem, os dados dos melhores institutos locais e fontes fidedignas sobre agricultura mundial de 191 países membros mais a Comunidade Europeia atual, com 26 países. Dados da pesquisa painel Agri Globe, realizada pela Kleffmann, compõem os números. “A FAO é uma fonte consagrada, universal, que permite fazermos esse tipo de comparação baseada em informações das áreas de todas as culturas em todos os países”, explica Lars Schobinger, presidente da Kleffmann no Brasil. Dentro do período avaliado, destacam-se os índices entre 2004 e 2007, quando o Brasil cresceu 21% em produtividade e 23% no uso de defensivo por hectare. O país também obteve o menor aumento no índice de consumo de defensivo por tonelada de produtos agrícolas (apenas 1%). Na Argentina, em fase de expansão na época, os números são bem diferentes. A produtividade cresceu 8%, o uso de defensivo aplicado por hectare aumentou 62% e o consumo por tonelada produzida teve um salto de 49% em igual período. O executivo chama a atenção para o fato de o Brasil ser o único país com grande importância agrícola em condição tropical. “Nosso desafio de controle em um ambiente tropical é muito maior, já que a suscetibilidade ao surgimento de pragas e doenças é alta. Por exemplo, os Estados Unidos e Europa não têm Helicoverpa e ferrugem na soja. Apenas para controle desses dois problemas, o produtor brasileiro precisa entrar com 10 aplicações a mais na lavoura”, afirma Schobinger. E, mesmo assim, o investimento em defensivos por tonelada no Brasil é menor que nos principais países produtores em toda a série histórica analisada. Segundo o presidente da Kleffmann, o estudo valida a percepção de que o Brasil faz um uso racional de defensivos, além de trazer informações secundárias interessantes como a relação de produtividade agrícola com a evolução da área plantada e da produção. “O que chama a atenção é que a expansão da área no Brasil foi menor. Ou seja, produzimos mais com um pequeno crescimento de área”, afirma. Entre 2004 e 2011, a área plantada cresceu 8%, enquanto que a produção aumentou 61%. Na Argentina, por exemplo, a área expandiu 22%, mas a produção cresceu apenas 12% no mesmo período. O intervalo de maior expansão da produção agrícola brasileira, aponta o estudo da Kleffmann, está entre 2007 e 2011. Nesses últimos quatro anos, o crescimento foi de 40%, enquanto que entre 2004 e 2007, o avanço foi de 19%. Em média, a produção aumentou 6,6% ao ano entre 2004 e 2007 e 10% nos últimos quatro anos. O que puxou a produtividade nesse período, explica Schobinger, é o ótimo desempenho do milho safrinha. A soja, por exemplo, de 1980 para cá, acrescentou ao ano uma saca de soja por ano. Fonte: Portal KLFF
