07 Mar, 2011

Esta semana os preços no mercado de lotes ficaram estáveis em R$ 510,00/ton no Rio Grande do Sul, preço que vem se mantendo já desde o início da segunda quinzena de fevereiro quando a última elevação do preço médio estadual foi observada. Apesar disso, diante da baixa oferta de trigo no mercado gaúcho, as ofertas de vendas estão já tentando imprimir prelos maiores, o que tem sido fortemente combatido pelos moinhos que tentam prolongar ao máximo os valores atuais diante da preocupação de que a escassez de produto e os preços elevados do trigo argentino possam exercer uma pressão exagerada sobre os preços das farinhas, tirando a competitividade do derivado produzido no Rio Grande do Sul em outras regiões consumidoras em que o produto gaúcho já sofre com a desvantagem do frete mais elevado. Os estoques limitados estão gerando inclusive rumores no mercado que os moinhos gaúchos estão até mesmo cogitando a possibilidade de importar trigo paranaense para manter as fábricas funcionando de forma minimamente competitiva, já que o trigo produzido nos países vizinhos já está com a produção praticamente toda tomada pelos exportadores que praticam preços FOB mínimo de R$ 302,00/ton no Paraguai, US$ 307,00 no Uruguai e US$ 352,00/ton na Argentina. Sendo que para grão com alto teor de proteína o valor pode ultrapassar os patamares citados em até 6%. No Paraná, a comercialização, como já era previsto dias atrás deu um salto de 58% da produção no começo da semana passada para 63% nesta, uma diferença de 5 pontos percentuais que significa a negociação de 171 mil toneladas no período, o que eleva o acumulado já comprometido da safra para 2,15 milhões de toneladas. Esta intensa procura por parte dos moinhos resultou em nova elevação do preço médio estadual para o patamar de R$ 520,00/ton, sendo que até são encontrados valores menores e superiores a este, com negócios fixados, o que é mais importante, mas o valor consolidado é mesmo este, que em relação à semana passada teve aumento de 2%. Estas variações de preços nas praças paranaenses dependem de dois fatores fundamentais, que é a disponibilidade do produtor em negociar com os moinhos preços menores, o que tem sido o fator responsável por uma parcela das negociações já que em alguns casos o produtor precisa de espaço nos armazéns que está ocupado pelo trigo. E também há o maior poder de negociação do produtor que dispõe de trigo com maior padrão de qualidade, com índices de força o glúten que classificam o cereal como melhorador ou pão de alto teor protéico e que permitem um ágio de quase 4% a até 6% sobre o preço médio de R$ 520,00/ton. Fonte: AF News