27 Oct, 2016

Além dos problemas com a comercialização, semeadura da oleaginosa segue com lentidão por conta do clima e traz preocupação aos produtores. O cultivo da soja no triângulo mineiro está irregular. Enquanto chove em uma cidade, em outra, bem próxima, não se vê nenhuma gota de chuva. Esta situação e os baixos preços pagos pela soja vem deixando os produtores bem cautelosos para esta safra. A saída pode ser plantar mais milho. As chuvas mal distribuídas dificultam o avanço do plantio na região. Neste mês, o município de Uberlândia recebeu 150 milímetros acumulados, 20% a mais que a média história. O problema é que esta chuva volumosa, e capaz de aumentar a umidade do solo, se dividiu em apenas três dias. No restante do mês, sol forte e muito calor. Na fazenda do agricultor Júlio César Pereira, mais de 90% dos 3,5 mil hectares de soja já foram plantados. O cultivo dos grãos teve início no começo de outubro, logo após o término do vazio sanitário. Segundo o produtor, o planejamento agrícola está adiantado, algo que não acontecia há muito tempo. No ano passado, começamos a plantar dia 25 de outubro só. A média aqui em Uberlândia é semear entre o dia 10 e 15 de outubro. Estas chuvas anteciparam o plantio por aqui, conta Pereira. Este produtor teve sorte, pois muitos outros da região ainda não conseguiram iniciar o plantio. De acordo com o levantamento realizado pela consultoria Céleres, até agora, apenas 5% de toda a área de soja estimada foi cultivada no estado. Em Uberaba, cidade situada a menos de 100 quilômetros de Uberlândia, é uma desta que sofrem com o baixo volume de chuvas, 30% abaixo da média para o período, deixando os produtores cautelosos. O agricultor está mais cauteloso por conta deste clima. Outra preocupação são as questões financeiras, já que estamos vindo de uma safrinha de milho péssima na região e o produtor está mais criterioso e vai esperar de fato o solo estar com a umidade adequada para evitar riscos, ressalta Guilhermina Maria, coordenadora regional da Emater-MG. Segundo levantamento da Céleres consultoria, a produção projetada de soja no estado é de 4,5 mil toneladas, números próximos do ciclo anterior. A área também deve ser praticamente a mesma, 1,5 mil hectares. O preço da soja está muito vinculado a questões externas e vemos a bolsa de Chicago caindo, dólar desvalorizado e isso tudo atrapalha na formação de preço para soja. O produtor de Minas Gerais tende a olhar com mais carinho para milho do que para soja nesta safra, conta Enilson Nogueira, analista de mercado da Céleres. A área de milho, primeira safra, projetada para o estado é de 1 milhão de hectares, alta de 16% em relação ao ciclo passado. Já a produção total esperada é de 7 milhões de toneladas, 23% a mais em comparação com o ciclo anterior. No mercado, a expectativa para março de 2017 é de preços bastante remuneradores. Especificamente para Uberlândia e Uberaba existe um enorme consumo de milho e isso deve impulsionar ainda mais os preços por lá e manter uma rentabilidade positiva para o produtor, finaliza Nogueira. Fonte: Canal Rural