19 May, 2014

Agropecuária Governo destinará R$ 156,1 bilhões para Plano Safra 2014/2015 O Ministério da Agricultura informou nesta segunda-feira que o Plano Safra 2014/15 terá 156,1 bilhões de reais em créditos para o agronegócio brasileiro, aumento de 14,7% em relação à temporada anterior (136 bilhões de reais). O valor estava estampado em um anúncio publicitário do governo no Palácio do Planalto. A presidente Dilma fez o lançamento agora há pouco no Salão Nobre do Palácio do Planalto. A taxa média de juro do programa subiu 1 ponto percentual ante a temporada anterior, para 6,5% ao ano. Segundo o ministro Neri Geller, as taxas de juros do crédito rural foram em grande parte preservadas, "uma vez que os ajustes foram inferiores ao aumento da taxa Selic desde o lançamento do Plano 2013/14". Com a ajuda à agricultura empresarial, Dilma dá nesta semana sua última cartada para tentar atrair o agronegócio para sua campanha à reeleição. O passo seguinte, e talvez o mais importante, será um encontro de Dilma com lideranças do agronegócio, o que deve ocorrer nos próximos dias. A reaproximação da presidente com o agronegócio está sendo conduzida com apoio da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), atual presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A ideia é romper a resistência do setor, com quem Dilma manteve boa relação em 2010, quando foi eleita. Kátia evita falar em crise entre a petista e os líderes ruralistas. "É bobagem querer fazer essa divisão de quem apoia ou não a presidente. Não existe uma classe desse tamanho unânime." Pelo diagnóstico do Planalto, pecuaristas, produtores de cana-de-açúcar e parte do segmento da soja estão mais próximos da oposição, o candidato do PSDB, Aécio Neves. Mas ainda há quem possa estar com o governo, o que seria o caso dos grandes produtores de soja. Dilma tem boa relação com o senador Blairo Maggi (PR-MT), cuja família é a maior produtora de soja do Brasil. A presidente colocou como titular da Agricultura na reforma ministerial do início deste ano o seu indicado, ministro Neri Geller, que também é produtor do grão no Mato Grosso. "Os grandes produtores estão com o governo, mas com os médios produtores não é bem assim", afirma o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Rui Prado, representante do setor no principal Estado produtor do grão. Soja é o carro-chefe das exportações brasileiras. Segundo Prado, uma pesquisa ouvindo 50 lideranças ruralistas mato-grossenses constatou que a maioria está descontente com a lentidão de investimentos estatais em infraestrutura. O gargalo da logística também é indicado pelo presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), Almir Dalpasquale. "Temos a observação de que o setor não é unânime. Se a Aprosoja apoiasse a presidente Dilma, talvez não tivesse apoio de 100% do setor, talvez nem de 50%", diz, ressaltando que a entidade ainda não tem posicionamento formal. Juros. O PAP 2014/15 prevê financiamento de R$ 132,6 bilhões com juros inferiores aos do mercado, de acordo com o Ministério da Agricultura. As taxas de juros mais baixas estão nas modalidades "armazenagem, irrigação e inovação tecnológica (4% a.a.)", além de 5% para o crédito de armazenagem para cerealistas. Práticas sustentáveis terão juros de 5% e os médios produtores, de 5,5%. Já o financiamento para aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas terá taxa de juros de 4,5% a 6%. "A grande maioria das taxas de juros é equalizada pelo Tesouro Nacional", disse Geller. "Mesmo com a Selic passando para 11%, o custeio do Pronamp e do Fundo de Defesa Econômica Cafeeira (Funcafé) aumentou só 1%", comentou. Por último, Geller pontuou que "mais de 90% dos produtores" acessarão o Moderfrota, para a aquisição de novas máquinas agrícolas, com taxas de juros reduzidas de 5,5% para 4,5%. "Para as cooperativas conseguimos manter juros em 7,5% para o capital de giro", finalizou. Dilma tenta apoio eleitoral do agronegócio para sua candidatura à reeileção Fonte: Veja + Estadão + Reuters