O maior otimismo nos mercados financeiros globais e o fortalecimento das exportações semanais dos Estados Unidos levaram os futuros de soja a se recuperar na Bolsa de Chicago (CBOT) na quinta-feira. O vencimento novembro subiu 14,00 cents (1,62%) e terminou em US$ 8,79 por bushel. Contudo, a proximidade de uma colheita que deve ser volumosa nos Estados Unidos pode limitar tentativas de esticar os ganhos. Além disso, o mercado segue focado em questões macroeconômicas. Ontem, a revisão do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos e mais uma rodada de estímulos na China impulsionaram as cotações das principais commodities, uma vez que EUA e China são os principais consumidores dessas matérias-primas. A economia norte-americana se expandiu a uma taxa anualizada de 3,7% entre abril e junho deste ano, segundo a primeira revisão do Departamento do Comércio. A leitura inicial havia mostrado crescimento mais moderado, de 2,3%. Enquanto isso, o Banco do Povo da China (PBoC) adotou uma ferramenta de swap cambial para diminuir as expectativas em relação ao yuan, e o governo flexibilizou as regras para estrangeiros investirem no mercado imobiliário do país. A reação do mercado acionário da China ontem também contribuiu para aumentar o apetite por ativos considerados de maior risco. Após cinco quedas consecutivas, a Bolsa de Xangai terminou com valorização de 5,34% na quinta-feira. Em relatório da AGR Brasil, o analista Pedro Dejneka destacou a contínua volatilidade nas bolsas, com fortes altas e baixas intercaladas. "Tal volatilidade é clássica de períodos de extrema falta de confiança e nervosismo no mercado global", apontou o analista. A corretora Granoeste, em boletim diário, assinalou que a alta verificada no mercado acionário chinês, depois de várias sessões em queda, "foi a senha para os investidores voltarem às compras também nos mercados de commodities". Também na quinta-feira o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou vendas de 1,46 milhão de toneladas da safra 2015/16 na semana encerrada em 20 de agosto. Para a temporada 2014/15, que termina na segunda-feira, os cancelamentos superaram as vendas em 131,6 mil toneladas. O resultado total, de 1,32 milhão de toneladas, superou as estimativas de analistas, que esperavam até 1,1 milhão de toneladas. A maior parte das vendas para 2015/16 foi para China - 887,5 mil toneladas. O país é o maior importador mundial de soja, e a queda das ações chinesas nesta semana havia levantado incertezas sobre a demanda pela oleaginosa. Mas o resultado positivo sugere que as quedas sucessivas dos preços depois do relatório de oferta e demanda de agosto do USDA estão começando a atrair alguma demanda. Até agora, a oferta volumosa de Brasil e Argentina ofuscou as vendas norte-americanas para a temporada 2015/16. Com as quedas recentes na CBOT a diferença de preços entre as origens diminuiu, só que o câmbio continua sendo um fator a ser monitorado. "A tendência é que as vendas externas ganhem ritmo daqui para frente", destacou a Granoeste, no boletim diário. Mas, mesmo com o bom resultado de hoje, as vendas antecipadas da safra que está no campo nos EUA seguem atrasadas ante igual período do ano passado. Dejneka, em relatório da AGR Brasil, destacou que apenas na última semana o país conseguiu exportar soja próximo ao ritmo de vendas necessário para cada semana até o fim do ano a fim de se aproximar da meta desenhada pelo USDA. Se a demanda corresponder, os preços podem ensaiar uma recuperação. Segundo a Granoeste, os preços da soja buscam "se posicionar num patamar mais próximo de U$ 9,00, depois que o mercado viveu, nesta semana, o pior momento desde março de 2009". Além da procura, o mercado pode voltar a olhar as previsões do tempo nos EUA. O serviço meteorológico DTN ressaltou que, embora o clima deva continuar favorável no oeste do Meio-Oeste, com chuvas nos próximos dias, no leste e sul do cinturão, condições mais secas seguidas de um período com temperaturas mais altas podem prejudicar as plantas com raízes mais superficiais. Ainda assim, surgem cada vez mais relatos de boas produtividades em vários pontos de cultivo dos EUA. "O mercado procura um 'ponto de equilíbrio' ideal que precifique a incerteza sobre a produção total da safra 2015/16 nos EUA, mas também a possibilidade da 2ª maior safra na história, com a ?tarefa? de manter preços baixos o suficiente para atrair nova demanda para o país", assinalou Dejneka no relatório. Fonte: Agencia Estado
