22 Feb, 2011

Como já era esperado e anunciado antes mesmo do encerramento da colheita do trigo, a safra gaúcha se mostrou bem melhor do que o esperado, fato confirmado pelos dados oficiais e atualizados no final da semana passada pela Emater. Até novembro, a instituição projetava a produção da safra 2010/11 em 1,61 milhões de toneladas e agora, com os números plenamente consolidados esta estimativa foi elevada em 10% e chegou a 1,77 milhões de toneladas o que deixou a redução em relação à safra passada muito pequena, fixada em 1,9% mesmo com queda de 10,7% na área plantada em 2010. Por falar em área, todas as principais regiões produtoras registraram queda no número de hectares cultivados, dentre elas Ijuí, Santa Rosa, Passo Fundo e Santa Maria. A redução mais expressiva ocorreu na região de Bagé, com queda de 38,6% na área plantada, o que só não impactou mais no resultado final por que ela responde por apenas 1,4% da área total do estado e porque por lá houve o maior incremento de produtividade, 15,5% superior ao da safra 09/10. As temperaturas e precipitações abaixo da série histórica não tiveram efeito apenas sobre a produtividade da cultura, mas também sobre a qualidade e homogeneidade da safra gaúcha, comprovadas por análises laboratoriais que confirmaram PH elevado e número de queda (falling number) também satisfatório, inclusive para enquadramento do cereal na Classe Pão. Dentre as inúmeras análises amostrais públicas e privadas, o elaborado pela Embrapa ressalta, no entanto, um problema que atingiu não somente o trigo gaúcho, mas também em menor grau o trigo paranaense, e até mesmo dos três países do Mercosul dos quais importamos trigo, que é a baixa Força do Glúten. De acordo com a legislação vigente para a safra e que já não será mais válida para a próxima temporada, para ser classificado como pão, o trigo precisa apresentar uma força variando de 180 a 330 W, acima do qual temos um trigo melhorador e abaixo do qual um trigo brando. Em função deste parâmetro de qualidade específico, mesmo plantando mais da metade da área com variedades para panificação a interação com o ambiente resultou em um percentual mais elevado do que o esperado de trigo considerado brando, conforme a análise de amostras realizadas pelo Laboratório de Qualidade de Grãos da Embrapa Trigo realizadas em outubro e novembro. Ainda assim a evolução foi significativa, pois das 129 amostras avaliadas pela instituição, 69 foram classificadas como pão e 58 como brando, restando apenas 2 que chegaram ao grau de melhoradoras. Esta nova realidade de triticultura gaúcha teve reflexo na comercialização do cereal, aliado, é claro a outros importantes fatores como os leilões de PEP e a quebra de safra em termos quantitativos (Rússia) e qualitativo (Austrália) que abriram mercado para as exportações de trigo do Rio Grande do Sul. Há quatro meses do encerramento da safra, estima-se que das 1,77 milhões de toneladas colhidas, menos de 350 mil ainda estejam disponíveis para comercialização, o que, para efeitos de comparação, seria suficiente para menos de 15 dias de consumo do grão no Brasil ou suficiente para a produção de aproximadamente 262 kg de farinha de trigo. È por este motivo que os preços do grão no estado subiram até 20% desde o começo do ano e já chegam a uma média de R$ 500,00 a R$ 510,00/ton neste final de fevereiro. Fonte: AF News