O mercado internacional da soja segue sustentado por fatores de alta no curto prazo, embora ainda enfrente limitações para avanços mais consistentes. Segundo a TF Agroeconômica, a tendência permanece altista, apoiada principalmente pela valorização do óleo de soja, pelo ambiente geopolítico mais sensível e por uma estrutura técnica ainda positiva em Chicago.
Na semana, os contratos encerraram com leve correção após três sessões consecutivas de alta, em um movimento de ajuste técnico. Mesmo assim, o saldo continuou positivo pela sexta semana seguida, mostrando que o mercado ainda encontra suporte em fundamentos relevantes e no forte avanço recente do complexo da soja.
Entre os fatores de sustentação, o destaque permanece com o óleo de soja. O contrato maio acumula alta de cerca de 37% em 2026, impulsionado pelos preços da energia e pela demanda ligada aos biocombustíveis. Desde o início do conflito no Oriente Médio, a valorização do óleo se aproxima de 9%, ampliando o suporte para toda a cadeia. Também pesa no cenário a incerteza geopolítica envolvendo Estados Unidos e Irã, que mantém os investidores mais atentos e favorece posições defensivas e compras especulativas. Outro ponto de apoio vem da Argentina, cuja safra foi mantida em 48 milhões de toneladas pela Bolsa de Comércio de Rosário, abaixo de projeções anteriores.
Por outro lado, o mercado encontra resistência na entrada da safra recorde brasileira. A Conab estima produção de 177,85 milhões de toneladas, com exportações de até 114,38 milhões. A ANEC também elevou a projeção de embarques de março para 16,47 milhões de toneladas, reforçando a competitividade do produto brasileiro. Ainda assim, o ritmo de carregamento segue lento, com entraves ligados à colheita e ao aumento de embarcações aguardando inspeção fitossanitária após nova regulamentação do MAPA. Esse quadro amplia os custos de demurrage e tende a pressionar ainda mais os prêmios da soja brasileira. Ao mesmo tempo, as exportações americanas seguem dentro do esperado, enquanto as compras chinesas por soja dos EUA permanecem abaixo do inicialmente projetado.
FONTE: AGROLINK
