23 Mar, 2025

O mercado de milho apresenta um cenário de fundamentos mistos, refletindo a combinação de fatores que sustentam os preços e outros que limitam avanços mais consistentes. De acordo com análise da TF Agroeconômica, a demanda externa aquecida e a menor produção mundial seguem como principais vetores de sustentação, enquanto a oferta elevada na América do Sul e o movimento de realização de lucros atuam como freios para novas altas.

No mercado internacional, o contrato de maio em Chicago vinha em trajetória de recuperação nas últimas semanas, após perdas registradas no início do ano diante da expectativa de grande safra nos Estados Unidos. Depois de três semanas consecutivas de valorização, o movimento foi interrompido por ajustes técnicos, com saída parcial de investidores e acomodação das cotações em um novo patamar acima da faixa anterior.

Entre os fatores de suporte, destaca-se a alta do petróleo, que reforça a demanda por etanol e amplia o consumo de milho. As exportações norte-americanas também seguem fortes, acumulando volume significativamente superior ao do mesmo período do ciclo anterior. Soma-se a isso a possibilidade de redução de área plantada nos Estados Unidos e a projeção de menor produção global, além de riscos relacionados ao fornecimento de fertilizantes em meio a tensões geopolíticas.

Por outro lado, o mercado enfrenta pressões relevantes. A queda nas vendas semanais dos Estados Unidos, a intensificação das vendas por produtores e a desvalorização do real, que favorece a competitividade brasileira, contribuem para limitar as cotações. A ampliação da produção na Argentina, com estimativas elevadas para a próxima safra, também reforça o quadro de maior oferta global.

Diante desse cenário, a tendência de curto prazo aponta para um movimento de correção após a recente alta, enquanto no médio prazo a expectativa é de recuperação moderada, condicionada principalmente às definições sobre área plantada e às condições climáticas da safra norte-americana.

FONTE: AGROLINK