MERCADO DA SOJA As cotações da soja em Chicago voltaram a recuar nesta semana, sobretudo em função do relatório baixista do USDA, divulgado no dia 11/09. O fechamento desta quinta-feira (18) ficou em US$ 9,71/bushel para novembro (primeiro mês cotado) e US$ 9,94 para maio/15. Uma pequena sustentação ocorreu durante a semana por conta da preocupação com as temperaturas mais baixas na região produtora dos EUA e ameaças de geadas precoces. Todavia, se isso vier a ocorrer não afetaria a soja de forma decisiva, pois a planta está quase pronta para ser colhida em boa parte daquele país. Nesse sentido, a colheita deve iniciar ainda neste final de setembro. O que tem dado mais sustentação aos preços é a firme demanda pelo produto estadunidense. Nesse sentido, a China teria fechado contrato com exportadores dos EUA visando importar 4,8 milhões de toneladas de soja nos próximos meses. Como se sabe, o país asiático é o maior importador mundial de soja em grão, tendo comprado 28 milhões de toneladas de soja dos EUA em 2013/14. Espera-se que os chineses comprem 30 milhões de toneladas neste novo ano 2014/15 junto aos EUA. Aliás, 60% de todas as vendas estadunidenses anuais de soja têm como destino a China. Entretanto, tais notícias não são suficientes para reverter o quadro baixista de Chicago. Colabora para isso a revisão para cima na área estadunidense da oleaginosa. Segundo o governo estadunidense, através de sua Agência de Serviços Agrícolas, a área seria de 32,7 milhões de hectares semeados. Isso proporcionaria uma safra final dentro dos volumes recordes que estão sendo anunciados (entre 106 e 110 milhões de toneladas). Ao mesmo tempo, até o dia 14/09 as condições das lavouras dos EUA se mantinham com 72% entre boas a excelentes, 22% regulares e apenas 6% entre ruins a muito ruins. Já as inspeções de exportação de soja atingiram a 255.020 toneladas na semana encerrada em 11/09, acumulando no ano comercial atual, iniciado em 01/09, um total de 333.608 toneladas, contra 130.969 toneladas registradas em igual período do ano anterior. Por sua vez, na Argentina os produtores locais, até o final da primeira quinzena de setembro, haviam comercializado 59% da safra 2013/14, contra 68% em igual momento do ano anterior. A semana terminou com os prêmios se mantendo elevados, sendo que para setembro os portos brasileiros apontaram valores entre US$ 2,40 e US$ 3,30/bushel. Já nos EUA os mesmos variaram entre US$ 1,08 e US$ 1,15/bushel, enquanto na Argentina (Rosário) ficaram entre US$ 1,30 e US$ 2,30/bushel. Obviamente, com a entrada das diferentes colheitas, tais prêmios irão recuar significativamente. No caso brasileiro e argentino, entre março e julho, poderão registrar valores negativos. Paralelamente, Safras & Mercado indicou que a produção brasileira de soja deverá somar 95,9 milhões de toneladas em 2014/15. Isso representa 11% acima do colhido um ano antes, que foi de 86,6 milhões de toneladas. Em julho, a estimativa era de 94,4 milhões de toneladas. Por sua vez, o analista privado estadunidense Landworth projeta uma safra brasileira na altura de 98,1 milhões de toneladas, igualmente em crescimento em relação a sua previsão anterior. A projeção de Safras & Mercado se baseia, dentre outras coisas, no fato de que a área a ser semeada com soja no Brasil (o plantio se inicia ainda neste final de setembro) vai aumentar em 5,16%, atingindo a 31,43 milhões de hectares. A produtividade média passaria a 3.051 quilos/hectare. Obviamente, tudo isso em clima normal nas áreas de soja brasileiras até a colheita. Nesse contexto todo, os preços internos da oleaginosa voltaram a recuar. A média gaúcha no balcão ficou em R$ 53,31/saco, enquanto os lotes terminaram a semana entre R$ 58,00 e R$ 58,50/saco. Nas demais praças nacionais, os lotes ficaram entre R$ 53,00/saco em Sapezal (MT) e R$ 58,50/saco no oeste e norte do Paraná. Quanto aos preços futuros de balcão, a partir do que Chicago indica na atualidade e considerando uma desvalorização do Real que o leve até R$ 2,40 por dólar no momento da colheita, no Centro-Sul brasileiro não será surpresa se o saco da oleaginosa chegar a valores ao redor de R$ 45,00. Por sua vez, se as tendências das cotações em Chicago, indicadas pelo banco holandês Rabobank, se confirmarem (US$ 8,50/bushel no final do ano), o saco de soja viria para apenas R$ 38,00. Por enquanto, consideramos tal possibilidade difícil, porém, não impossível. Tudo irá depender do tamanho final da safra dos EUA e de sua cadência de embarques. Já no Centro-Norte brasileiro, os preços de balcão poderão ser, respectivamente, de R$ 40,00 e R$ 33,00/saco, dependendo do cenário que se confirmar. Isso confirma que os preços oferecidos antecipadamente até o momento, mesmo tendo recuado bastante nos últimos meses, ainda são interessantes. Todavia, os produtores brasileiros, até o início de setembro somente haviam negociado 10% da futura safra. No Paraná, por exemplo, apenas 17% do volume esperado estavam negociados, contra 30% em igual momento do ano anterior. Efetivamente, no Rio Grande do Sul, para maio próximo o preço FOB no interior, para compra, ficou em R$ 52,50/saco neste final de semana. Em Paranaguá (PR), para março, o valor FOB chegou a R$ 56,50/saco. No Mato Grosso, para fevereiro, a região de Rondonópolis trabalhou com o valor de US$ 18,50/saco. Considerando um valor cambial futuro de R$ 2,40, isso representa R$ 44,40/saco. Em Goiás, igualmente para fevereiro, a região de Rio Verde apontou US$ 19,00/saco (ao câmbio futuro projetado teríamos R$ 45,60/saco). Na região de Brasília o valor ficou em R$ 45,00/saco para abril. Em Minas Gerais, também para abril, US$ 19,00/saco, enquanto na Bahia, para maio, tivemos o mesmo valor de US$ 19,00. Já no Maranhão (Balsas), Piauí (Uruçuí) e Tocantins (Pedro Afonso), para maio, os valores respectivos foram de R$ 46,00; R$ 45,50; e R$ 45,00/saco. (cf. Safras & Mercado) Enfim, confirmando nossos alertas, a Fecoagro anunciou na semana o seu levantamento de custos de produção para a safra de verão 2014/15. Para a soja, considerando uma produtividade média de 50 sacos/hectare, o produtor gaúcho terá um custo total aumentado em 19% nesta nova safra, com a rentabilidade caindo 39% em relação ao ano anterior, para ficar em R$ 602,66/hectare. Fonte:Ceema
