MERCADO DO MILHO As cotações do milho em Chicago se elevaram um pouco durante a semana, porém, nada de significativo. O movimento foi puramente técnico, apoiado em especulações climáticas a partir da chegada de geadas precoces sobre algumas regiões produtoras, já que a colheita do cereal se inicia nos EUA e a projeção é de uma safra recorde. Assim, o fechamento desta quinta-feira (18) ficou em US$ 3,38/bushel. Em se tratando de colheita, duas informações contraditórias agitaram um pouco o mercado dos EUA nesta semana. Em primeiro lugar, a produtividade média inicial nas lavouras colhidas em Iowa e Illinois está muito acima do esperado. Por outro lado, as geadas precoces levariam os produtores estadunidenses a destinarem entre 127.000 e 381.000 toneladas de milho para silagem. Embora tal volume seja diminuto dentro da totalidade produzida, sempre a especulação se agita diante de tais notícias. Todavia, o órgão oficial FSA acabou colocando uma ducha de água fria no processo de especulação altista, pois informou que a área semeada com milho seria menor do que o até agora anunciado, ficando em apenas 639.417 hectares. Ao mesmo tempo, a meteorologia anuncia clima quente e seco para este restante de mês nas regiões de colheita, facilitando a mesma. Por enquanto, apenas 4% da área de milho havia sido colhida. Assim, nos próximos 60 dias a pressão da entrada da nova safra recorde estadunidense não deverá permitir movimentos altistas importantes para o bushel de milho em Chicago. Para piorar o quadro, as exportações do cereal, por parte dos EUA, continuam baixas, tendo ficado em apenas 741.200 toneladas na semana anterior. A tonelada FOB na Argentina e no Paraguai reflete esse quadro, fechando a semana respectivamente em US$ 166,00 e US$ 125,00. Aqui no Brasil, o saco de milho no balcão gaúcho ficou em R$ 22,12 na média semanal, ou seja, praticamente estável. Já os lotes fecharam a semana em R$ 23,00/saco. Nas demais praças nacionais, os lotes ficaram entre R$ 12,50/saco no Nortão do Mato Grosso e R$ 23,50/saco em Videira e Concórdia (SC). Nesta semana houve redução no interesse de venda no interior paulista, onde a safrinha está colhida, já que o mercado estaria acreditando numa recuperação dos preços locais do cereal em função da desvalorização do Real durante a semana (o mesmo chegou a R$ 2,34 por dólar em alguns momentos), que facilitaria as exportações. De fato, essa relação entre câmbio e volume exportado definirá para onde irá o preço do milho no Brasil nas próximas semanas. Alguns produtores paulistas e de outras regiões do país estão realizando EGF visando segurar o produto na expectativa de preços futuros melhores. Entretanto, por enquanto o quadro ainda é de manutenção dos atuais preços e, até mesmo, um pouco mais baixos. Tanto é verdade que na região paulista da Sorocabana a oferta de bons lotes estaria indicando um objetivo de preço ao redor de R$ 20,00/saco, contra os atuais R$ 22,50 no CIF a prazo. Quanto às exportações, a primeira quinzena de setembro fechou com um volume de 865.400 toneladas, devendo atingir a meta de 2 milhões de toneladas no mês. Um volume importante em relação ao ocorrido até julho, porém, ainda insuficiente para desovar o alto estoque existente no país. Será preciso que nos próximos meses, até janeiro, o volume exportado some 3,5 milhões de toneladas mensais e, se possível, até um pouco mais. A semana terminou com a importação, no CIF indústrias brasileiras, valendo, para setembro, R$ 32,44/saco para o produto dos EUA e R$ 30,66/saco para o produto da Argentina. Já para outubro, o produto argentino ficou em R$ 32,07/saco. Na exportação, o transferido via Paranaguá atingiu os seguintes valores: R$ 23,01/saco para setembro; R$ 23,02 para outubro; R$ 22,78 para novembro e dezembro; R$ 22,54 para janeiro; R$ 23,23 para fevereiro; R$ 23,99 para março; e R$ 24,49/saco para maio. Enfim, segundo a Fecoagro, considerando uma produtividade média de 100 sacos/hectare, o produtor de milho gaúcho terá um custo total 1% mais elevado do que o registrado no ano anterior. Todavia, devido ao forte recuo nos preços, a rentabilidade cairá 125%, ficando negativa em R$ 83,63/hectare. Isso explica a preferência do produtor gaúcho em particular, e mesmo nacional, pela soja em detrimento do milho, embora igualmente os preços da soja estejam recuando fortemente. Fonte:Ceema
