14 Sep, 2015

Após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) ter atualizado suas previsões de oferta e demanda na sexta-feira, o mercado futuro de grãos na Bolsa de Chicago (CBOT) deve começar a semana ainda repercutindo os números. Além disso, cada vez mais as atenções se voltam para a colheita de milho e soja nos EUA, por enquanto ainda restrita a algumas áreas, e aos números de rendimento que estão chegando dos campos. O clima nos EUA também é um fator capaz de direcionar cotações, já que condições adversas podem prejudicar lavouras ainda em desenvolvimento ou prejudicar o andamento da colheita. No caso da soja, o mercado deve avaliar os números da safra 2015/16 estimados pelo governo norte-americano. Na sexta-feira, o vencimento novembro subiu 0,25 cent (0,03%), para US$ 8,7425/bushel, acumulando ganho de 0,89% na semana. A forte alta do milho ajudou a oleaginosa a se recuperar de perdas registradas ao longo do pregão, segundo o diretor Société Générale, Michael McDougall. Porém, o analista ressaltou que, enquanto os primeiros resultados da colheita de milho têm ficado abaixo do esperado no sul dos EUA e em Illinois, "por enquanto, essa queda de rendimento não está ocorrendo na soja". Para ele, a estimativa menor do que a esperada do USDA para o estoque final da safra 2014/15, que terminou no dia 31 de agosto, também deu suporte às cotações. "A elevação da previsão de rendimento tem sido surpreendente para os investidores. Mas foi neutralizada parcialmente pela redução do estoque da safra velha." Entretanto, podem voltar à tona esta semana os dados da safra 2015/16, que deve ser volumosa, aumentando ainda mais os já confortáveis estoques de soja pelo mundo. O USDA aumentou a previsão de produção doméstica para 3,935 bilhões de bushels, ante os 3,916 bilhões de bushels previstos em agosto. O aumento reflete principalmente a elevação na projeção de rendimento de 46,9 bushels/acre para 47,1 bushels/acre. A demanda da China, entretanto, deve continuar sendo monitorada. "As exportações da safra 2015/16 norte-americana tiveram um começo lento, mas os preços baixos ainda devem atrair interesse", apontou McDougall. Quanto ao milho, mesmo com os números de produção maiores acima do previsto, o mercado considerou que o fato de que o USDA ajustou para baixo a projeção de rendimento, de 168,8 bushels por acre para 167,5 bushels por acre, foi um reconhecimento de que, de fato, o excesso de umidade, seguido por um período de seca, no leste do Meio-Oeste, provocou prejuízos em algumas lavouras. Segundo McDougall, investidores temem que os rendimentos de 10 a 15 bushels por acre abaixo do esperado registrados nas primeiras áreas colhidas possam se repetir em outros pontos de cultivo. Além disso, o analista ressaltou que, do ponto de vista técnico, o milho reverteu a tendência de queda, o que provocou uma onda de compras com base em aspectos gráficos. Na sexta-feira, o contrato dezembro subiu 12,75 cents (3,41%) e fechou em US$ 3,87 por bushel, alta semanal de 6,61%. Ainda assim, a safra de 13,585 bilhões de bushels prevista pelo USDA ainda deve ser a terceira maior da história. O trigo pode ceder a alta de 3,69% da semana passada, com os estoques norte-americanos e mundiais acima do esperado exercendo pressão sobre as cotações esta semana, após o cereal ter subido na sexta-feira na carona do milho. O USDA previu estoque final de 875 milhões de bushels só nos EUA em 2015/16, superando em 15 milhões de bushels o previsto pelo mercado. Além disso. a projeção de vendas externas dos EUA foi cortada em meio à maior concorrência no mercado internacional. "A exportação dos EUA não está indo bem", apontou McDougall. Além disso, ele ressaltou que a Rússia está com atraso no programa de exportação e avalia alterar o tributo sobre embarques ao exterior. O trigo para dezembro avançou 7 cents na sexta-feira (1,46%) e fechou a US$ 4,85 por bushel. Fonte: Agencia Estado