A seca tem sido um dos fatores mais impactantes da safra 2014/15 de grãos. O motivo das condições heterogêneas de lavouras de soja, situação que difere o potencial produtivo entre as regiões, tem se repetido em muitos estados: o clima. ‘Acredito que essa palavra é a que mais foi citada dentro desse ano safra. Apesar de falarmos muito em irregularidade, até o momento temos uma condição relativamente boa e os estados que foram mais castigados foram Minas Gerais junto com Goiás’, afirma o consultor de grãos da INTL FCStone, Étore Baroni. Em Paracatu, município mineiro, as áreas de soja mais atingidas por perdas – em função da seca em janeiro e por ataques de lagartas – são as lavouras de oleaginosa precoce. Com soja em área de sequeiro e irrigadas, o produtor Dalmi Veloso espera perdas em ambas áreas. O maior problema, no entanto, tem sido com a soja precoce. ‘A de ciclo mais tardio ainda tem chance de recuperar uma parte por causa das últimas chuvas’, explica a analista de grãos da INTL FCStone, Natália Orlovicin, em visita à propriedade de Veloso. Nas áreas de soja precoce, plantada em sequeiro e onde a perda é mais pronunciada, a expectativa de produtividade gira em torno de 40 sacas por hectare. Produtores goianos aguardam a ocorrência de precipitações em fase crucial – de enchimento de grãos, situação que resulta em fluxo menor (ou atrasado) de colheita no estado. No município de Cristalina, a produtividade da safra 2014/15 de soja deve sofrer queda de 20% em relação a expectativa inicial. Isso porque mesmo as áreas de pivôs sofreram com a seca e as altas temperaturas. Já as áreas de sequeiro foram severamente afetadas e, alguns casos, há perda total da produção. Ainda assim, espera-se uma produtividade média de mais de 50 sc/ ha na região, uma vez que as áreas irrigadas acabam puxando a média para cima. Saulo Tomazini é um dos poucos produtores em Cristalina que consegue ‘exibir’ colheitadeiras em pleno trabalho. Tomazini plantou a soja de variedade precoce nos primeiros dias de outubro, para possibilitar o plantio do milho safrinha dentro da janela ideal. Em sua fazenda a colheita segue a todo vapor, entrando inclusive em algumas horas da noite, para que o plantio do milho da safra de inverno seja feito o mais rápido possível, aproveitando os dias de estiagem. Perdas também têm sido verificadas no Mato Grosso do Sul. De acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) e as condições climáticas reportadas no estado, espera-se colher média de 47 sc/ ha de soja, contra 42 sc/ ha na safra passada. Segundo a instituição, 2,3 milhões de hectares foram cultivados com oleaginosa no ciclo 2014/15. O período de 30 dias de estiagem dessa safra no estado foi menor se comparado ao ciclo anterior (que sofreu com quase 60 dias de seca), mas o foco principal foi o forte aumento da temperatura, que acabou se tornando muito mais prejudicial. A comercialização dessa safra continua em ritmo lento se comparado ao ano passado. ‘Estima-se que 35% da soja 2014/15 tenha sido comercializada contra 50% no mesmo período para a safra passada’, afirma o consultor de grãos da INTL FCStone, Jorge Gracioli, em reunião na instituição. Em São Gabriel do Oeste, o clima marcado por muita irregularidade de chuvas, períodos de estiagem e altas temperatudas fez os desenvolvimentos da oleaginosa variarem. Na mesma propriedade, o consultor Gracioli observou hectares de soja que não devem passar de um rendimento de 30 sc/ ha e variedade de soja plantada no final de outubro com expectativa de rendimento médio em 58 sc/ ha. Por: Carolina Barboza Fonte: INTL FCStone
