O relatório semanal de exportação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), termômetro para medir a demanda pelo produto norte-americano, deve direcionar o mercado nesta quinta-feira. O documento será publicado às 11h30 (horário de Brasília). Na semana passada, os números decepcionaram, provocando forte queda nos preços futuros da soja na Bolsa de Chicago (CBOT). Hoje, investidores buscam a confirmação se o recuo da demanda foi pontual ou não. O dado é bastante relevante neste momento. As vendas do país estão atrasadas em relação ao ano passado e, para que haja uma recuperação, será preciso vender volumes acima de um milhão de toneladas por semana, segundo analistas. Ontem, os contratos futuros passaram por um movimento de correção, após as perdas de terça-feira. Participantes cobriram posições vendidas depois de o mercado ter atingido o menor nível em seis semanas na sessão anterior, pressionados por projeções maiores de safra, rendimento e estoques dos EUA. O vencimento janeiro subiu 5,25 cents (0,61%) e fechou em US$ 8,6075 por bushel. O analista da AGR Brasil Tarso Veloso reforça que as atenções estão voltadas para a demanda e clima no Brasil. "O número de exportação que o USDA divulgou ontem - 1,715 bilhão de bushels (46,680 milhões de toneladas) - será muito difícil de ser atingido", diz ele. "A média semanal necessária para atingir esse patamar deve ser de 1 milhão de toneladas. Com a produção abundante de grãos, fica difícil esboçar um rali sustentável, sem que haja um problema climático um pouco mais sério na América do Sul ou nos EUA." O que pode influenciar as exportações norte-americanas nos próximos meses é a relação do dólar com as demais moedas internacionais, o que pode direcionar a competitividade global do grão dos EUA. Ontem, o Dollar Index (DXY), que mostra o comportamento da moeda norte-americana em relação a um pacote das principais moedas globais, recuou. Em novembro, no entanto, acumula alta de mais de 2%. A AGR BRASIL prevê uma alta para o indicador a longo prazo, mas acredita que o índice possa estar ?sobrevalorizado? no curto prazo e suscetível a uma pequena correção. Em relação à América do Sul, o clima no Brasil preocupa, mas, por outro lado, alguns participantes veem um certo exagero nestes temores. Eles lembram que no ano passado houve atraso no plantio da oleaginosa no País e, mesmo assim, a produção foi recorde. De acordo com a consultoria Meteorlogix, há previsão de chuvas isoladas nesta semana para os Estados do Sul. Já em Mato Grosso, a umidade do solo está mais favorável para o plantio e desenvolvimento das plantas. No entanto, nos próximos dias as temperaturas devem subir na região, o que pode causar provocar estresse às lavouras. Fonte: AE
