A escassez de milho que o mercado brasileiro vivenciou em 2016 não deve se repetir em 2017. Segundo Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as estimativas da safra 2016/2017 no Brasil e em outros países produtores do cereal tranquilizam o mercado brasileiro. Segundo ele, não existe receio sobre a falta de insumos como o milho e o farelo de soja. ?Vamos ter milho para abastecimento interno e exportação?, afirma Turra. As cotações do cereal, que ultrapassaram R$ 60 por saca de 60 quilos nos meses anteriores, encerram o ano em patamares mais baixos. Segundo o Indicador do milho ESALQ/BM&FBOVESPA, na segunda-feira (12/12), a saca estava sendo negociada por R$ 38,36. De acordo com o presidente da ABPA, a oferta de milho do Paraguai e da Argentina, além da autorização de importação do cereal dos Estados Unidos, também solucionam a crise. ?Deverão reduzir a pressão sobre a cotação do insumo no próximo ano?, diz Turra. Mercado do milho Em 2016, as importações brasileiras de milho foram muito superiores aos volumes observados no ano anterior. Entre janeiro e outubro deste ano, foram importadas 1.915 mil toneladas de milho, enquanto em 2015 foram 271 mil toneladas, aumento de 607%. Um fator que prejudicou os criadores de animais foi o aumento expressivo das exportações brasileiras. Os agricultores aproveitaram o câmbio favorável para embarcar o produto nacional, o que favoreceu a escassez interna. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Brasil deve exportar 28 milhões de toneladas de milho na safra 2016/2017, 69,7% a mais na comparação com o ano anterior. ?O que aconteceu [em 2016] foi que os nossos concorrentes compravam o milho mais barato que nós, isso fez com que a gente perdesse competitividade?, diz Ricardo Santin, vice-presidente e diretor de mercados da ABPA. ?Em 2017 nós teremos dois cenários que serão diferenciados, o cenário do mercado interno, que é um grande pilar e volta a se reaquecer. E, no caso da exportação, voltamos a ter custo mais adequado e com o dólar num nível mais estável.? Produção mundial de milho As previsões do USDA para a safra de milho 2016/2017 indicam a produção mundial de 1.039,7 milhões de toneladas, alta de 8,2%. Para a safra brasileira, o incremento deve chegar a 29,1% na comparação com a temporada anterior, 86,5 milhões de toneladas. Já nos Estados Unidos, o aumento pode chegar a 11,9%, ou seja, 386,7 milhões de toneladas. Proteína animal A produção de carne de frango, suína e ovos deve crescer no próximo ano. Segundo a ABPA, a elevação será de 3% a 5% para o frango e de até 2% para a carne suína e ovos. ?Em 2017, nós esperamos uma retomada do consumo puxada, principalmente, pela retomada do crescimento econômico do país. A gente crê no retorno da estabilidade da economia?, diz Santin. Por Naiara Araújo Fonte: SFAgro
