05 Aug, 2026

O início de agosto mostra que o mercado agrícola internacional voltou a reagir com mais intensidade ao clima e à geopolítica do que aos fundamentos isolados de oferta e demanda. A avaliação é de Ricardo Leite, superintendente executivo do Banco Safra, que destaca a necessidade de acompanhar fatores antes de tomar decisões no campo.

Nas últimas semanas, soja, milho e trigo registraram correções em Chicago, enquanto algodão e café tiveram comportamento distinto, sustentados por condições específicas de oferta e qualidade. Na soja, a realização de lucros após a valorização anterior, a melhora do clima no Meio-Oeste dos Estados Unidos e as compras chinesas ainda insuficientes para novas altas mantêm a volatilidade elevada. No Brasil, produtores adotam cautela com a proximidade do plantio da safra 2026/27.

No milho, o avanço da colheita da segunda safra confirma bom potencial produtivo em várias regiões brasileiras. Ainda assim, os preços permanecem pressionados pela expectativa de safra favorável nos Estados Unidos e por um ambiente externo menos positivo para as commodities energéticas.

O café segue entre os produtos de maior atenção. Estoques certificados reduzidos, dúvidas sobre a qualidade da safra brasileira e demanda consistente voltaram a sustentar as cotações internacionais, conforme dados do Cepea Esalq/USP. Já o trigo enfrenta pressão baixista no exterior, mas a oferta doméstica restrita de produto de qualidade dá resistência ao mercado interno.

“Mais do que nunca, informação de qualidade passou a ser um diferencial competitivo. No agronegócio, quem interpreta os sinais do mercado antes, normalmente toma decisões melhores depois”, conclui.

FONTE: AGROLINK

Foto: Canva Nas últimas semanas, soja, milho e trigo registraram correções em Chicago