28 Sep, 2015

O mercado futuro de soja na Bolsa de Chicago (CBOT) inicia a semana com as atenções voltadas para a demanda pela oleaginosa norte-americana, após a comitiva chinesa que visitou os Estados Unidos ter anunciado compra de 13,18 milhões de toneladas de soja do país e o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) ter reportado quatro notificações de venda externa avulsa, de mais de 200 mil toneladas cada uma, na semana passada. O avanço da colheita em áreas produtoras norte-americanas e os rendimentos das lavouras também devem continuar no radar e podem voltar a pressionar os preços, já que tudo indica que vem aí uma safra volumosa. Além disso, o USDA divulga na quarta-feira o seu relatório de estoques trimestrais, que deve dar uma visão clara ao mercado de como ficou o estoque de passagem nos EUA. Na sexta-feira, o vencimento novembro subiu 21,25 cents (2,45%) e terminou em US$ 8,8925 por bushel, sustentado por sinais de interesse por soja norte-americana e pelo otimismo nos mercados internacionais. A alta na semana foi de 2,54%. Na quinta-feira, pouco antes do fechamento do mercado, importadores chineses que visitaram Des Moines, no Iowa, assinaram contrato para compra de 13,18 milhões de toneladas de soja dos EUA. O negócio de US$ 5,3 bilhões foi avaliado com um bem-vindo indício de aumento da procura externa por soja norte-americana, já que as exportações do país ainda estão atrasadas em relação a igual período do passado. Além disso, novo reporte de vendas avulsa de soja norte-americana contribuiu para manter o mercado sustentado no fim da semana passada. Na sexta-feira, o USDA reportou que exportadores negociaram 260 mil toneladas de soja para a China, com entrega no ano comercial 2015/16. Ao longo da semana passada, já haviam sido divulgadas outras notificações, de 313 mil toneladas para destino não revelado (quinta-feira), 284,5 mil toneladas para a China (quarta-feira) e de 240 mil toneladas para destino não revelado (segunda-feira). Com toda a movimentação da semana passada, "a perspectiva de demanda ficou um pouco melhor", disse o analista João Schaffer, da Agrinvest. Apesar de as compras de comitivas chinesas nos EUA serem tradicionais a cada começo de colheita, havia dúvidas se a desaceleração da economia do gigante asiático levaria a um volume menor, por isso o anúncio surpreendeu. Segundo Schaffer, além de superar os 4,8 milhões de toneladas de soja adquiridos pela delegação da China aos EUA em 2014, as compras também ficaram acima de anos anteriores, quando foram computadas 8 milhões de toneladas (2013) e 12 milhões de toneladas (2012). "Em se tratando de China, não tem um padrão. Mas a soja está barata hoje, considerando os preços abaixo dos US$ 9/bushel", apontou. "Em teoria, com o grão mais barato, é normal ver um volume maior de compras." Ele ressaltou, entretanto, que ainda não se sabe exatamente quanto dos 13,18 milhões seria para entrega na atual temporada e quanto para 2016/17, embora o mercado especule que a maior parte do volume é de fato para 2015/16. O desempenho mais forte que o esperado da economia norte-americana no segundo trimestre e discurso da presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Janet Yellen, também deixaram parte dos mercados financeiros em território positivo na sexta-feira. O crescimento anualizado de 3,9% no Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no segundo trimestre surpreendeu analistas, que não contavam com uma revisão da taxa apresentada anteriormente, de 3,7%. Além disso, Yellen reiterou na quinta-feira que o Fed deve dar início ao ciclo de aperto monetário até o fim do ano e que a decisão de manter os juros inalterados na reunião de setembro não significa uma postergação interminável da mudança de postura do banco central. Nesta semana, o mercado deve continuar focado na demanda por soja norte-americana e em questões macroeconômicas, mas também no andamento da colheita e nas produtividades que estão sendo reportadas por produtores dos EUA. "Pelo que a gente tem visto, a colheita está indo bem. Mas os números são muito divergentes ainda, não há dados muito consolidados", apontou Schaffer. O analista avaliou que, se não houver novidades sobre o consumo, as altas podem não se sustentar, uma vez que o produtor norte-americano ainda deve acelerar a comercialização da safra volumosa que está sendo retirada das lavouras. Segundo ele, a umidade dos últimos dias no Meio-Oeste por enquanto não preocupa. "Teve chuva, mas nada atrapalhe tanto a colheita." O mercado também deve precificar entre hoje e amanhã as perspectivas para o relatório de estoques trimestrais que o USDA divulga na quarta-feira. Analistas ouvidos pelo the Wall Street Journal apontavam estoques de soja de 204 milhões de bushels em 1º de setembro, ante 92 milhões de bushels um ano antes. Em 1º de junho, estavam armazenados 625 milhões de bushels. Para Schaffer, traders já vinham posicionando para o relatório e esse movimento deve continuar neste início de semana, uma vez que os relatórios trimestrais de setembro dão um bom indicativo do que restou de soja nos silos dos EUA até os grãos da nova safra cheguem com mais força ao mercado. Outra questão que deve ser acompanhada nesta semana é o clima no Brasil. "O Brasil tem algumas áreas um pouco secas, precisando de chuva, mas nada que cause muito alarde no mercado", apontou o analista. Na sexta-feira, a consultoria AgRural estimou que o plantio da safra 2015/16 de soja já atinge 2% da área prevista no Brasil. Segundo a consultoria, o Estado que puxa o ritmo da semeadura neste início de safra é o Paraná, que receberia bons volumes de chuva a partir de sexta-feira e já contava com mais umidade no solo. A AgRural apontou que o Paraná tem 10% da área já semeada, contra 7% há um ano. Já no Centro-Oeste, a temporada de plantio começou com tempo seco e quente. "Em ano de custos mais altos e de preços mais baixos em dólar, poucos arriscam plantar nas áreas onde ainda não há previsão de boas chuvas", disse a AgRural. Fonte: Agencia Estado