13 Oct, 2014

Ameaça brasileira na soja preocupa Estados Unidos Líderes isolados na produção e na comercialização mundial de soja, os Estados Unidos veem o Brasil avançar tanto na produção como na utilização de tecnologia na cultura da oleaginosa. Mas, assim como no Brasil, a logística começa a preocupar também os norte-americanos, que têm sua posição ameaçada por brasileiros e argentinos. Os sul-americanos estão implodindo a competitividade norte-americana. Em 1996, o Brasil tinha 3% da divisão do mercado externo de soja. Após liderar as vendas do mercado internacional em 2011, com 43%, o Brasil voltou para o segundo lugar no ano seguinte, com 41%. Já a Argentina, que atingiu 36% de participação no comércio mundial em 2001, recuou para 9% em 2012, devido ao avanço brasileiro. Líderes, os Estados Unidos saíram de uma participação de 82% do mercado externo em 1996 para os 47% de 2012. Os dados fazem parte de um estudo do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) sobre a competitividade nesse setor. Feito por dois especialistas no setor, Delmy Salin e Agapi Somwaru, a pergunta que fica é o que vem pela frente. Uma das conclusões do estudo é que que Brasil e Argentina já têm custos e transportes mais competitivos, em alguns casos superando os dos Estados Unidos. O problema para os produtores dos EUA é que as tecnologias de produção, principalmente após a adoção dos transgênicos, são as mesmas para as duas regiões. O outro gargalo, o da logística, vem sendo atacado desde 2007 no Brasil, e com avanços. Resta para os norte-americanos também avançar na busca de uma redução de custos tanto na produção como no transporte do produto das fazendas para os portos de distribuição externa. Os norte-americanos têm custos fixos de produção menores do que os dos sul-americanos, mas perdem quando se trata de gastos com mão de obra, arrendamentos e terras. No ano passado, os custos dos norte-americanos para produzir soja foram de US$ 21 por saca. No caso da Argentina esse custo foi de US$ 16 e no do Brasil, dependendo da região, variou de US$ 17 a US$ 18 por saca. O dilema dos norte-americanos passa a ser o de obter uma melhora nos custos, principalmente no de transportes. Um pequeno avanço dos sul-americanos nesse segmento fará com que os norte-americanos percam ainda mais terreno no comércio mundial de soja. Os norte-americanos estão cientes de que não está claro ainda quando e quanto o programa de melhoria de logística iniciado no Brasil começará a ter um efeito maior na economia do país, mas têm certeza de que isso vai acontecer. Uma redução de custos o Brasil já obteve: a utilização de navios com capacidade maior e a redução internacional nos preços dos transportes, atualmente bem menores do que no pico de 2008. Desperdícios Os olhos do mundo estão voltados para o Brasil na questão da alimentação das 9,3 bilhões de pessoas esperadas para 2050. Mas não basta apenas produzir. É preciso evitar desperdícios. Discussões A FAO e outras entidades brasileiras, entre elas, a Embrapa, se reúnem na terça (14), em São Paulo, para discutir o tema. Inovação Na pauta de discussões estarão, além da redução de desperdício, a abertura do comércio mundial, os investimentos em inovação e a garantia de renda para a agricultura familiar sustentável. FRANGO Preço começa próxima semana em alta A ave viva deve começar a próxima semana custando R$ 2,80 o quilo, alta de 2% em relação à cotação de sexta (10), aponta pesquisa da Folha em granjas paulistas. Comercializado a esse valor na próxima segunda (13), o frango vai registrar queda de 6,67% ante um ano atrás. Por Mauro Zafalon Fonte: Folha de S. Paulo