No final do ano passado destacamos relatos de agentes de mercado que observavam uma intensificação das compras de trigo, especialmente gaúcho por traders interessados na exportação do produto. O ponto crucial desta notícia, no entanto, era o fato de que as compras estavam sendo feitos no mercado físico e não nos leilões de PEP, ou seja, os exportadores estavam se dispondo a adquirir grandes volumes e escoá-los até os portos sem recorrer aos leilões de PEP, em que tem direito a um prêmio pago pelo governo federal para subsidiar o frete até o porto, o que torna o trigo nacional competitivo frente a outros exportadores, especialmente do nosso vizinho Argentina. Voltando um pouco no tempo, as exportações de trigo da safa 09/10 registraram recorde chegando a 1,17 milhões de toneladas, o que para um país franco importador do cereal foi um excelente número que gerou divisas em um ano extremamente complicado em termos de preços. Porém, este volume de vendas ao exterior só foi possível graças justamente à forte intervenção do governo federal no escoamento da safra com desembolso de R$ 485,54 milhões em prêmios para 3,26 milhões de toneladas arrematadas. Voltando às exportações desta safra 2010/11 o volume de 60,8 mil toneladas embarcadas em novembro já havia surpreendido por se tratar de aquisições fora dos leilões, mas os dados finais de dezembro trouxeram uma quantidade quase duas vezes superior ao do mês anterior, registrando 112,64 mil toneladas. As informações divulgadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior divulgados na segunda semana de janeiro já antecipavam uma realidade confirmada na última sexta-feira pela Agência Reuters que apontou para uma boa demanda internacional pelo trigo brasileiro durante a semana que passou, devido a dificuldade de importar o cereal da Austrália, que enfrenta problemas logísticos causados pelas inundações que já duram semanas. O volume das vendas não foi quantificado, mas já se sabe que a programação de embarques será forte neste primeiro trimestre assim como foi neste mesmo período de 2010. No entanto, os exportadores consultados divulgaram a média de preços, que variou de US$ 306,00 a US$ 311,00/ton FOB no Porto de Rio Grande. Corretores consultados estimam com base na programação de embarques que neste mês de janeiro devem sair no mínimo 300 mil toneladas de trigo pelo Porto de Rio Grande e outras 200 mil ton por Paranaguá, o que já está sendo considerado um número pessimista faltando duas semanas ainda para fechar o mês. A notícia é boa para o produtor brasileiro, que diante do escoamento ainda maior do que o garantido pelos leilões oficiais verá a oferta de produto no mercado interno reduzida e os preços nos países do Mercosul elevados, o que garantirá uma maior liquidez das vendas pelos próximos meses, limitando-se é claro à demanda dos moinhos, que ainda não mostram intenção de aumentar seus estoques mesmo diante deste cenário de menor disponibilidade de produto. Fonte: AF News
