Atraso na soja pode reduzir área de milho em até 40% em regiões de MT A estiagem prolongada no início do plantio de soja deve reduzir em até 40% a área plantada na segunda safra de milho em determinadas regiões de Mato Grosso, disse nesta quarta-feira (12) a Aprosoja MT, entidade que reúne produtores do estado. Desde o início de outubro, as chuvas têm sido irregulares em Mato Grosso, provocando atraso na semeadura de soja, que alcança 67% da área total prevista, contra 86% no mesmo período do ano passado. O atraso no plantio acarretará uma colheita da soja depois do planejado, não permitindo que muitas lavouras de milho “safrinha” sejam semeadas dentro da janela ideal de clima. “Temos ouvido dos produtores decisões de reduzir drasticamente a área plantada de milho. Na região leste, por exemplo, essa queda pode chegar a até 40 por cento”, disse o diretor técnico da Aprosoja, Nery Ribas, em nota. No mês passado, reportagem do Agronegócio Gazeta do Povo (AgroGP) antecipava que a seca no estado reduziria a área de segunda safra do cereal no maior produtor de grãos do Brasil. Na época, os agricultores mato-grossenses aguardavam a chegada das chuvas, ou para dar início ao plantio de verão ou para replantar áreas da soja que foram “torradas” pelo clima. Redução de safrinha em MT beneficia mercado no Paraná Segunda safra de milho, cultivada no inverno, tem sido superior à produção de verão e é liderada pelo estado do Centro-Oeste. A provável redução do terreno destinado ao milho “safrinha” em Mato Grosso em 2015 tem dado gás aos preços nas regiões produtoras do cereal. O grão tem sido cotado a mais de R$ 20 por saca nas praças do Paraná, 12% acima da média de outubro, conforme levantamento da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do estado (Seab). Maior produtor nacional de milho, Mato Grosso confirmou que vai reduzir a área ocupada pela cultura no próximo inverno. A decisão está diretamente associada à falta de chuvas. Sem umidade no solo, os produtores do Centro-Oeste, atrasaram o plantio da soja. Com isso, a colheita da oleaginosa tende a ser postergada e comprometer o calendário para início de plantio da cultura seguinte, no primeiro bimestre do ano que vem. “Aqui no Paraná, se o plantio da segunda safra for tardio, corre-se o risco de as lavouras sofrerem com a geada. Em Mato Grosso, a ameaça é de seca”, explica o técnico da Companhia Nacional de Abastecimento no Paraná (Conab), Eugênio Stefanelo. Segundo ele, a janela ideal para plantio do milho é no primeiro decêndio de fevereiro. Assim, as plantações se desenvolvem dentro do período das chuvas, que normalmente segue até final de abril e início de maio no Centro-Oeste. A decisão dos mato-grossenses pode fazer ainda com que a produção total de milho no Brasil fique abaixo da demanda no próximo ano. Para que isso se concretize, no entanto, a colheita nacional precisaria recuar cerca de 3 milhões de toneladas em relação ao ano passado. Estimativa da Conab indica que a demanda total (consumo e exportações) é de 75 milhões de toneladas, frente a uma produção de 78,1 milhões de toneladas, considerando as duas safras. Porém, nessa projeção de oferta, a estatal não considera redução de área do milho em Mato Grosso. Estimativa 100 mil hectares de milho safrinha devem deixar de serem plantados em Mato Grosso, considerando as projeções de redução de área da Aprosoja/MT. Se a produtividade das lavouras for mantida em relação ao ano passado, a colheita do cereal tende a recuar mais de 500 mil toneladas. Fonte: Gazeta do Povo
