O ajuste de posições antes do relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) deve influenciar o comportamento dos futuros de soja na Bolsa de Chicago (CBOT) nesta quinta-feira. O USDA divulga o relatório de setembro amanhã. Além das especulações sobre os números, o clima nos EUA deve continuar no radar até o fim do mês pelo impacto sobre as produtividade das lavouras plantadas mais tarde no país. Ontem, o vencimento novembro cedeu 7,00 cents (0,80%) e terminou em US$ 8,7225 por bushel. O movimento foi influenciado pelo fato de que a qualidade das plantações de soja norte-americanas se manteve estável pela quinta semana consecutiva, com 63% da safra em condição boa ou excelente. Traders esperavam uma piora de pelo menos 1 ponto porcentual. O descasamento das condições das lavouras nos EUA com a previsão de 46,9 bushels por acre do USDA para o rendimento norte-americano em 2015/16 abre espaço para especulações sobre uma possível redução dessa estimativa na sexta-feira. Segundo a analista Andrea Cordeiro, da Labhoro, as lavouras percorridas na expedição de safra da corretora no Meio-Oeste têm potencial "muito próximo" do número que o USDA está projetando. "Claro que esse potencial só é factível no caso de continuidade de chuvas nas próximas duas a três semanas", disse a analista. "Três chuvas devem definir completamente a safra da soja dos EUA." Andrea ressaltou que a Labhoro não projetava que o USDA revisasse para baixo a qualidade da safra. "O total de lavouras boas a excelentes deveria ser muito maior do que o USDA está projetando", assinalou a analista. Ela avalia que o número ainda pode sofrer algum ajuste, só que para cima. Porém, a expectativa do mercado era de um corte de 1 a 2 pontos porcentuais na proporção de plantações em condições boas a excelentes. "Essa percepção frustrada deu o tom baixista do dia, depois de o pregão ter começado em alta com atenções voltadas para o macro." Analistas ouvidos pela agência Dow Jones Newswires projetavam que o governo norte-americano estimará rendimento de 46 bushels por acre, portanto abaixo dos 46,9 bushels por acre previstos no mês passado. Para a produção, a expectativa é de que o USDA projete 3,838 bilhões de bushels. Em agosto, a previsão era de 3,916 bilhões de bushels. Analistas esperam ainda que o USDA diminuirá a previsão de estoque final em 2015/16 de 470 milhões de bushels para 396 milhões de bushels. Além disso, o mercado também foi influenciado pelo clima mais úmido dos últimos dias nos EUA. Depois de chuvas fortes no fim de semana prolongado por feriado no país, foram registradas precipitações de até 25 mm em Michigan, Wisconsin, centro-norte de Indiana, Illinois, sul de Iowa, Missouri (exceto noroeste), sul do Kansas, Oklahoma, nordeste do Texas e centro-norte do Arkansas entre terça e quarta-feira, segundo boletim da Labhoro. Localidades no extremo sul de Illinois, sudeste do Missouri e noroeste do Arkansas receberam chuvas mais intensas, de até 50 mm. Ainda conforme o boletim, a expectativa é de enfraquecimento da frente fria que se encontra no Meio-Oeste entre quinta e sexta-feira. O tempo voltará a ficar seco, mas as temperaturas se manterão dentro da média histórica. "Por enquanto, há previsões razoáveis para a finalização do ciclo da soja, especialmente aquela plantada tardiamente nos 10 primeiros dias de julho." Ontem também circularam comentários no mercado de que as chuvas recentes no Centro-Oeste e Sul do Brasil poderiam favorecer o plantio nas áreas que saem do vazio sanitário já em 15 de setembro. "As chuvas no Paraná no fim de semana foram muito fortes. Trazem prejuízo para lavouras de trigo, mas indicam que o plantio de soja vai começar com um certo conforto. Isso também pesou um pouco sobre os futuros", apontou Andrea. Fonte: Agencia Estado
