05 Apr, 2011

Como uma cultura que é base da alimentação humana, em um país com área agricultável imensa pode ter oferta cerca de 50% menor do que a demanda? Mesmo com preços 12% maiores do que os praticados na safra anterior, a área paranaense de trigo deve ser reduzida 11% em relação ao ano de 2010. As estimativas de custos de plantio trigo são auto-explicativas. De acordo com levantamento do CEPEA, o preço de nivelamento sobre o custo total da cultura (que cobre custos fixos e variáveis) plantada no Oeste do Estado do Paraná seria de 46,53 reais por saca, contra 36,88 reais por saca do município gaúcho de Carazinho. A Secretaria de agricultura do Estado do Paraná estima um custo total por saca de R$ 43,01. Todos estes muito acima dos preços mínimos estipulados pelo governo que variam entre 28,62 e 22,56. O preço médio praticado no mercado de balcão paranaense atualmente é de 26,65. Isto faz com que no Paraná o trigo perca a concorrência com milho. O aumento da área de plantio no trigo no Rio Grande do Sul, além de motivada pela euforia causada aumento nos preços e a expectativa de repetir a exportação ocorrida neste ano, é também uma função da limitação climática gaúcha, que não permite a safrinha de milho, utilizando assim o trigo para diluir os custos fixos, como gasto com funcionários, depreciação de benfeitorias entre outros. Estes altos custos de produção divulgados, em parte são causados pelas baixas produtividades, o custo foi calculado pela SEAB com uma produção por área de 2,4 toneladas/hectare, muito abaixo da produtividade argentina, que segundo dados do site da bolsa de Cereales foi estimada na última safra em 3,45 toneladas por hectare. Outro fator é o custo dos insumos, só o gasto com fertilizante é o responsável por 15% do custo total no cálculo da SEAB e por 25% de acordo com o CEPEA. Neste cenário é difícil observar qualquer alteração significativa da oferta tritícola brasileira no curto do prazo. Fonte: AF News